Artigo: O Homem do Futuro (Voz de Portugal)

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20 de Julho de 2020 – vozdeportugal.com.br

Em tempos de pandemia a imaginação dá um salto, o que vem depois? Enquanto alguns temem um mundo de máscaras, drones, e Big Data hackeando nossas personalidades, outros sonham com uma mudança total de paradigma: a libertação do Homem. Essa tensão já estava no ar antes do debut do vírus global. O Corona só pegou o controle remoto e botou o volume da discussão no máximo. Conservadores contra Liberais, Nacionalistas contra Globalistas. Quem ganha, Brexit ou o grande êxito do experimento europeu? A pandemia esvaziou as ruas e encheu a banda-larga com gritos em CAPSLOCK e figurinhas bastante ofensivas… e hilárias.

Com tudo parado, ou no mínimo bem mais devagar, deu tempo, muito, muito tempo de refletir um pouquinhozinho. Eu acredito ser um otimista, talvez até um romântico. Essa é a nossa chance de transcender. Podemos dos escombros das fake news, paranoia, e o “novo normal” encontrar a nossa versão do Ubermensch (Homem-Além) de Nietzsche. Podemos encontrar a síntese de Hegel. Ao invés de um lado sair vitorioso, uma leoa dentando uma gazela, podemos construir juntos um terceiro lado, melhor do que qualquer um dos dois, o Leão deitado com o carneiro.

Cada um defende seu canto do ringue com unhas e dentes, achando que o outro lado só pode ser louco por que no feed de Facebook só aparece uma opinião, a dele. Isso é por que os algoritmos das redes sociais são desenhados para colocar na sua frente o que você já gosta, curte e apoia.  É um fenômeno que piorou muito as brigas no grupo de whatsapp da família (onde o único algorítmo é o DNA). Hoje os membros da família conversam bem mais com os membros de suas gangues virtuais do que com seus familiares. Tudo bem, isso pode até dividir as famílias, mas a longo prazo vai educá-las, fazê-las crescer.

Como no conto de Hans Christian Andersen, A Roupa Nova do Rei, em 2008 uma criancinha olhou para o mundo e gritou “O Neoliberalismo está nú!”. O sistema de empurrar crédito com a barriga ad aeternum claramente não é sustentável. Afinal, é o povo que está dando bail-outs para bancos e o gap entre as classes ricas e pobres só aumenta. Por outro lado, não adianta também tentar ressuscitar John Maynard Keynes de um caixão lacrado, se Deus quiser, por toda a eternidade. Tão pouco a Coreia do Norte, Venezuela e Cuba podem oferecer algo além de cartões postais de photoshop. A verdade é que não temos ainda, nada para substituir o neoliberalismo, mesmo que já saibamos que ele já era. Então o homem do futuro precisa saber disso.

O homem do futuro abraça o neoliberalismo por enquanto, mas não como sua bandeira orgulhosa. Ele abraça como um empreendedor sonhador abraça o emprego temporário que alimenta sua família. Ele reconcilia esquerda e direita, juntando os dois em um pensamento moderado e ponderado relegando esses termos obsoletos em um museu mental mundial.

O homem do futuro trabalha, quase sempre, de home office. Agora, com tantos serviços disponíveis de delivery, ele até corta o cabelo em casa. Com tanto tempo extra se abre um novo lugar para a alma entrar. O que antes era correria agora é silêncio. O que era pressão agora é permissão. O que antes era visto como vastas opções hoje ficou claro que eram meras distrações. A produção demasiada se torna meditação guiada, uma reprogramação de prioridades.

O homem do futuro não defende seu lado mais, pois ele está no lado de todos. Ele não está preocupado pois está preenchido. Ele reza, medita e faz yoga. Ele observa o cosmos pelo telescópio em sua varanda e aprende sobre física quântica no Coursera. Ele quer um governo regulado por blockchain e com representação direta, ele domina cada lei que rege seu bairro. Ele vende produtos locais para o outro lado do mundo. Ele pendura um lindo quadro que ele que pintou, toca música que ele que compôs e recita o poema que ele mesmo escreveu. No poema ele confessa que trocou o medo do futuro pela reverência a oportunidades.

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Eron começou a escrever desde muito cedo. Seu primeiro emprego foi como colunista da revista de cinema “Tablado”. Com 17 anos já ganhava dinheiro organizando festas de rock e depois tocando com sua banda em Cruzeiros transatlânticos. Com 25 anos, gravou um disco com o lendário produtor de Bob Dylan, Leonard Cohen e Simon & Garfunkel. Em Londres, onde morou por quatro anos, foi editor da revista “New Untouchables”. Hoje, é colunista da revista “Menorah”, contribui para algumas publicações esporadicamente, para seu próprio blog, eronfalbo.org, e postando conteúdo original no instagram e twitter, no @eronfalbo.

Artigo: A Coroa que Busca a Cabeça

O Vírus que Une o Mundo

A coroa é um símbolo antiquíssimo que representa os  raios solares. Ela é usada acima da cabeça para significar que há algo intangível acima do intelecto. Usada pelos Reis para demonstrar que o Rei não é o regente máximo, e sim, que há algo que está acima dele, Deus, simbolizado pelo Sol. Coroa em latim é Corona. O vírus ganhou esse nome por parecer uma coroa. Parece superficial, mas quem sabe a revista Nature (1968), que foi a primeira a usar o nome para o Vírus, não estava tocando inconscientemente em algo muito mais profundo.

Há algo que está acima do individualismo, do hedonismo, do consumismo e egoísmo moderno. Isto é, a condição humana: a fragilidade, a compaixão, a serenidade, a contribuição social sem busca por recompensa. Tudo isso nós perdemos no mundo moderno pós-industrialista em nome da produtividade, do conforto e avanço tecnológico. Agora, o Coronavírus forçou todos a testemunharem de novo essas coisas que perdemos. Jovens usando máscara não para se proteger, mas para não espalhar a doença, caso ele tenha o vírus e esteja sem sintomas. Vizinhos ajudando vizinhos que talvez antes nunca tinham parado para conhecer. A produtividade exacerbada repentinamente cessada em prol da vida de idosos, a maioria dos quais não são mais produtivos para a indústria.

Historicamente um Rei nasce da necessidade de união de vários líderes de diferentes regiões que por terem costumes e cultura em comum se unem para se defenderem de uma ameaça externa. Assim nasceram as todas as nações do mundo. Quando um Rei morria e não tinha sucessor, era de costume dizer que a coroa buscava uma cabeça, pois sem um Rei, todas as regiões que se uniram para formar aquela nação podiam se desunir. A união precisava sempre ser coroada.

A coroa pode ser vista na arte de todas as culturas do mundo sendo colocada na cabeça do Rei pelos anjos ou pelos Deuses. Ou seja, é considerada algo que vem de Deus e não do homem, para homologar aquela união de líderes que aquele Rei representa. 

O rei que não é coroado por Deus, e se auto-coroa, é considerado um tirano. Pois ele não está representando nada acima dele, é auto-suficiente, não precisa de mais ninguém. Assim é o indivíduo moderno, e consequentemente as nações do mundo. Em tempos antigos era dito que Deus era inimigo dos tiranos e todo tirano é combatido e derrotado em uma questão de tempo.

O Coronavírus então pode ser visto como uma coroa em busca de uma cabeça, que é uma humanidade unida, uma coroa entregue pela natureza, além do alcance humano. A mesma coroa veio para desafiar nossa auto-coroação egoísta e combater a tirania do individualismo e falso racionalismo.

“Heavy is the head that wears the Crown” diz Shakespeare no seu livro Henry IV: pesada é a cabeça que veste a coroa. A coroa vem com novas dificuldades, desafios e responsabilidades para todos nós. Mas também traz consigo ao invés de várias regiões separadas e vulneráveis, com seus povos sempre temendo invasões dos mais fortes, a possibilidade de uma nação maior, mais forte, mais poderosa, mais capaz e capaz de mais, onde todos os líderes ali unidos vivem em paz e prosperidade, não mais vulneráveis ao inimigo e nem às rixas banais entre eles próprios. 

Esse vírus é um inimigo que pode nos preparar para combater inimigos bem maiores se nos uníssemos. Os infectologistas estão nos advertindo da possibilidade do que estamos vivendo hoje há décadas. E sabemos que o potencial viral é de um estrago milhares de vezes maior, sem contar outras centenas de vulnerabilidades humanas que vem da natureza. Os pequeninos líderes tribais, talvez, precisem começar a pensar em algo acima deles próprios.

O Isolamento Social global colocou todos numa mesma situação, e mostrou o quanto temos em comum apesar das aparentes diferenças. Agora, estamos todos na internet espalhando os mesmos vídeos, em todo lugar do mundo. Vídeos das mesmas coisas que fazemos em casa, lendo, dormindo, fazendo exercício, escrevendo, assistindo Netflix. Vídeos com familiares, pets, objetos significativos e que mostram os mesmos sentimentos: solidão, alegria, medo, preocupação, esperança, generosidade. Em todas as nações os mesmos posts, em línguas diferentes as mesmas palavras. Afinal, dentro do lar, é tudo igual. A mulher muçulmana não usa burca, o soldado não usa uniforme, o político para de fingir. Tudo o que nos separa se extingue e a camisa do nosso time se torna uma máscara hospitalar.

A coroa de uma humanidade unida pode vir através das consequências do Coronavírus. Quem sabe isso não pode ser o começo de uma nova era, que todas as nações passem a se unir acima das diferenças, acima da razão que as convence da necessidade da separação. Quem sabe a Terra não pode ser um reino só, cada nação um Ducado respeitado e independente, mas pronto para servir o bem maior. E a humanidade possa assim ser Coroada, sempre carregando acima dela, algo além da mente e da razão, valores e princípios que todos nós prezamos, a realeza que todos nós já conhecemos bem e temos dentro de cada lar.

Artigo: Um guia para encontrar as tribos perdidas de Israel

Alguns antropólogos e teólogos atuais diriam que o nome do atual Estado de Israel está incorreto, ou ao menos incompleto. Afinal de contas, ele é composto pelos descendentes de só uma das 12 tribos de Israel, Judah (Benjamin se assimilou dentro de Judah). As outras 10, são consideradas perdidas, ou foram assimiladas a culturas estrangeiras. Dizer que Israel está incompleta não é insolência, anti-semitismo, nem mesmo falta de reconhecimento pelos milenares méritos do povo judeu, mas uma lealdade à tão esperada escatologia das 3 maiores religiões do mundo, e a Torah, que promete o retorno e união das tribos.

Mapa com a distribuição original das 12 tribos.

Alguns diriam que o certo seria chamar o estado de Judeia, ou até mesmo Fariséia, pois entre os descendentes de Judah, só os Fariseus se mantiveram organizados e homogêneos. No entanto, alguns dos fundadores de Israel já tinham como missão resgatar as gargantas roucas dos gritos de desespero, daqueles espalhados pelo mundo. Estes, que clamam por suas origens legítimas da diáspora de Israel, ou aqueles que imploram pela misericórdia de seus governantes e sábios, que podem consagrá-los como justos convertidos e seus descendentes como Bnei Israel.

Mais de 3 bilhões de pessoas do mundo acreditam em religiões abraâmicas, portanto, mais da metade da população do mundo, por volta de 54%, de uma forma ou de outra, acredita nas profecias da Bíblia judaica, o primeiro cânone das três grandes religiões abraâmicas. 

Uma das crenças fundamentais derivadas da Bíblia judaica é a futura união das 12 tribos de Israel. Durante os 3000 anos de história do povo Israelita houveram muitas divisões. As doze tribos se separaram em dois blocos, hoje conhecidos por Judéia e Samaria. Só os habitantes da Judéia se mantiveram culturalmente intactos. Depois, a Judéia se separou em três grandes ramos, Fariseus, Saduceus e Essênios, só sobreviveram culturalmente os Fariseus. E finalmente nos dias de hoje os Fariseus são separados de grosso modo entre Ashkenazim, Sefaradim ou Mizrahim, Chassídicos e Reformistas. Mesmo dentro dessas categorias existem inúmeras sub-denominações e complicações. Parece que a cada geração, a separação é maior e alguns dos fragmentos vão se perdendo na imensidão da história.

Profecias

Existe uma piada clássica na comunidade judaica, “Quando se encontram dois judeus sempre há pelo menos três opiniões”. A discordância e desunião das dezenas de subculturas judaicas é realmente impressionante considerando que o povo sobreviveu milhares de anos contra todo tipo de adversidade. Mesmo com o advento do estado moderno de Israel, a união das 12 tribos parece mais impossível do que nunca.

No entanto, existe outra profecia que parecia igualmente intangível, que o mundo inteiro hoje está testemunhando em suas páginas digitais. No pentateuco diz-se que haverão três grandes exílios, que o povo será expulso da terra prometida e voltará três vezes. O primeiro é relatado no próprio pentateuco, quando Jacó e seus filhos vão morar no Egito. O segundo foi com a destruição do primeiro templo pelos Babilônios, e o terceiro com a destruição do segundo templo pelos Romanos. E aí, a bíblia diz que no último o povo será espalhado pelos quatro cantos da terra e promete: 

Quando todas essas bênçãos e maldições que coloquei diante de vocês lhes sobrevierem, e elas os atingirem onde quer que o Senhor, o seu Deus, os dispersar entre as nações, e quando vocês e os seus filhos voltarem para o Senhor, para o seu Deus, e lhe obedecerem de todo o coração e de toda a alma, de acordo com tudo o que hoje lhes ordeno, então o Senhor, o seu Deus, lhes trará restauração e terá compaixão de vocês e os reunirá novamente de todas as nações por onde os tiver espalhado. Mesmo que tenham sido levados para a terra mais distante debaixo do céu, de lá o Senhor, o seu Deus, os reunirá e os trará de volta. Ele os trará para a terra dos seus antepassados, e vocês tomarão posse dela. Ele fará com que vocês sejam mais prósperos e mais numerosos do que os seus antepassados. (Deuteronômio 30:1-6)

De nada vale uma profecia que não seja clara, comprovadamente escrita antes dos fatos profetizados, e falsificável (que possa se tornar falsa, não acontecer, sem ambiguidade). Por exemplo, se alguém diz “Amanhã os jogadores do Flamengo vão conquistar grandes vitórias pessoais,” isso não é falsificável, pois o resultado é ambíguo, mas se dissesse “Amanhã o Flamengo vai ganhar a Taça libertadores da América”, isso é falsificável, pode ser que não aconteça amanhã. O valor de uma profecia é aumentado pela improbabilidade do profeta ter acesso a informações e influência sobre os acontecimentos. Seria fácil profetizar que haverá um campeonato brasileiro de futebol no ano que vem. Mas se alguém no século XV tivesse dito que em algumas centenas de anos o mundo inteiro iria disputar os jogos olímpicos, isso seria incrível. 

Quanto mais tempo se passa, mais impressionante. Seja a Bíblia escrita pelo homem ou por Deus, está relatado claramente que o povo judeu iria sofrer exílios, se espalhar pelo mundo inteiro e voltar para a terra de seus antepassados. Ela ainda faz uma promessa mais ousada — que serão mais prósperos que jamais foram. Eles podiam não ter voltado, se assimilado e se perdido dentro de outras culturas. E ainda podiam ter voltado à terra e se tornado uma nação com grandes dificuldades econômicas. Essa era a maior probabilidade. Israel era um micro reinado irrelevante para o mundo, só imaginar que seus habitantes pudessem se espalhar pelo mundo todo seria loucura; afinal nem se conhecia a extensão do mundo. Depois, dizer que iriam sobreviver, durar 2000 anos, e ainda voltar à terra com governo próprio, é uma previsão e tanto. 

Hoje esse texto desse micro reinado do oriente médio é o maior best-seller do mundo e não só o povo judeu como todas as nações do mundo têm acesso a ele. Portanto esta profecia não só é correta como testemunhada por todos. Hoje, a maior parte do povo judeu já voltou para a terra e estão mais prósperos e numerosos do que jamais estiveram. É o 5º melhor país do mundo em inovação de acordo com o ranking da Bloomberg de 2019 e o 2º país mais dinâmico de acordo com o ranking da Grant Thornton. Além disso está entre os 20 maiores países em PIB per capita, de acordo com o FMI. Enquanto isso, outras nações formadas depois de 1945 estão lutando só para sobreviver. Se tivessem que apostar que isso ia acontecer até em 1947, um ano antes da fundação de Israel, não seria uma aposta muito segura, os obstáculos eram e ainda continuam colossais.

O Mosaico de Israel

O povo judeu não tem liderança universalmente reconhecida. Não tem uma figura de um papa ou Dalai-lama que represente todos os religiosos, nem mesmo um dos magnatas judeus é respeitado pela maioria do povo, cada comunidade pequena tem seus próprios costumes, crenças e liderança comunitária. 

Cada comunidade é uma abelha em busca de uma flor diferente, e a colmeia é a única coisa constante no judaísmo mundial, o pergaminho da Torá. Ele é o mesmo em Shanghai e em São Francisco. No entanto, uma grande parcela de judeus até repudiam a religião judaica, e ainda se consideram judeus. E mais, existem milhões de pessoas espalhados pelo mundo que dizem se sentir judeus, desde tribos africanas, grupos na Índia, evangélicos americanos, até Japoneses!

Existem japoneses que dizem que toda a cultura nobre do Japão vem de uma tribo perdida de Israel. De fato os religiosos em treinamento conhecido como os Yamabushi, usam uma Caixa preta na cabeça quase igual ao do Tefilin (filactérios). E existe uma lenda relatada por Arimasa Kubo de que no início da cultura japonesa, na antiguidade, um guerreiro que buscava ter poderes sobrenaturais, visitou um sábio que morava numa montanha e recebeu dele um “pergaminho do tigre”, tigre em Japonês é “Torá”. Receber a Torá de uma montanha e adquirir poderes sobrenaturais lembra outra coisa:

“Acontecerá, se obedecerdes diligentemente Meus preceitos, que Eu vos ordeno neste dia, de amar o ETERNO, vosso D’us, e servi-Lo com todo vosso coração e com toda vossa alma; então darei a chuva para vossa terra a seu tempo, a chuva precoce e a chuva tardia; colherás teu grão, teu mosto e teu azeite. Darei erva em teu campo para teu gado, e comerás e te saciarás.“ Deuteronômio 11:13-21

Um Yamabushi tocando uma especie de Shofar. Vestido de branco, como um cohen, sendo que no budismo clássico os sacerdotes usam roupas coloridas.

Então o certo não é dizer herança judaica, e sim herança Israelita. A insatisfação de certos judeus com a religião, e ao mesmo tempo a total lealdade dos próprios, e de outros, com a identificação com Israel, leva a crer que para essas pessoas algo está faltando na representação de Judah. Sabemos que estão faltando 10 das tribos, e consequentemente seus costumes, suas ideologias e interpretações da Torá.

Quando elas se separaram nos acontecimentos relatados em 1 Reis, a razão dada foi por que Judah não representava mais o resto das tribos como líder, ou seja: existia algo que era Israel como um todo, que Judah se distanciou. Se hoje os únicos representantes de Israel são os descendentes de Judah, que mesmo na época tinha se distanciado do resto de Israel, faz sentido que aqueles que se sintam parte de Israel, inclusive, até os próprios Judeus (descendentes de Judah), se sintam não inteiramente representados pelo Judaísmo, e portanto pelo atual Estado de Israel. Decifrar o que é essa Israel que é muito além de só Judah, seria essencial para a união das 12 tribos e o cumprimento da redenção profetizada pela Bíblia.

Alguns religiosos alternativos pensam que para ser digno de seu nome, o moderno estado de Israel poderia ativamente promover a descoberta das características que vão além da tribo de Judah e o descobrimento dos povos que seriam os descendentes das outras tribos. Como na história de José que finalmente se revelou e se reuniu com seus irmãos depois que Judah se redimiu; Judah dos tempos modernos, os Judeus, precisam se redimir diante de seus irmãos e só assim José se revelará e os irmãos se reunirão.

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Reencontro de Irmãos

As doze tribos foram desunidas no Reino do Rei Roboão, filho e herdeiro do Rei Salomão. Muitos grandes rabinos especulam sobre qual foi o grande erro de Roboão que o fez perder o reino de Israel. 

Na Bíblia é relatado que os anciãos da época aconselharam que Roboão diminuísse o esplendor da corte e diminuísse os impostos, assim como outras imposições ao povo. E que Roboão, respondeu, 

[Roboão] Seguiu o conselho dos jovens e disse: “Meu pai lhes tornou pesado o jugo; eu o tornarei ainda mais pesado. Meu pai os castigou com simples chicotes; eu os castigarei com chicotes pontiagudos”.

Aqui, nesta tabela, podemos observar um resumo sobre esses acontecimentos.

O líder dos anciãos, Jeroboão, um descendente de José, foi coroado Rei de Israel e o Reino de Roboão passou a ser conhecido como Judah. O povo anunciou que não tinha nada em comum com a casa de David. Ou seja, Roboão e portanto Judah se distanciou do povo demasiadamente. Assim as 12 tribos se separaram e Israel se fragmentou, pelo orgulhoso descuido de um homem. 

Vimos a mesma coisa acontecer no mundo moderno com diversas revoluções populares contra as monarquias. Talvez os maiores exemplos sendo a Revolução francesa e a Revolução russa, onde houve, também, da parte dos monarcas uma imposição de poder e um distanciamento dos interesses do povo. Nos dois casos e em muitos outros, essas revoluções trouxeram derramamento de sangue, desunião e uma quebra na tradição e cultura do povo, assim como aconteceu em Israel.

De acordo com a tradição judaica, o que distingue um tirano de um rei é que um rei é feito rei pelo consentimento do povo. Em outras palavras, o líder precisa se responsabilizar pelo bem estar do povo e conquistar seu apoio.

No livro de Gênesis, na história da venda de José para o Egito, Judah, o líder entre os irmãos, não se responsabilizou pelo bem estar de seu irmão mais novo, e permitiu que ele fosse vendido. José foi então para o Egito, que seria equivalente à assimilação as outras nações que sofreram as 10 tribos lideradas por Jeroboão, descendente de José.

Os descendentes de Judah hoje (os Judeus) vivem como viviam Judah em Gênesis, presumindo que seu irmão está morto. Não param para pensar que foi seu próprio desleixo, na época de Reboão, que causou a perda de seus irmãos. 

Em gênesis, foi José sozinho que foi perdido, absorvido pelo Egito, 10 irmãos ficaram para trás (Benjamim ainda não tinha nascido). Dessa vez foi Judah que ficou para trás e 10 tribos foram perdidas. O mais irônico foi que quando Reboão orgulhosamente manteve seu reino de Judah, ele imediatamente foi atacado pelo Egito e tornou-se um estado vassalo do Egito.

A fórmula para o resgate das tribos perdidas está na Torá. Afinal, no livro de gênesis, Judah se redime e os irmãos se reúnem em alegria e prosperidade.

Os Fariseus se mantiveram intactos até hoje com o que chamam de Ortodoxia, mantendo leis rígidas que a tradição chama de os 100 portões que protegem a Torá. Sem eles provavelmente a Torá teria sido perdida nas traduções, adições, interpolações e interpretações desconectadas da tradição original de outras religiões. O mundo teria esquecido os costumes e a herança da escola de Abraão, Isaac e Jacó. 

Foram eles, os ortodoxos, que trouxeram de volta a Torá até a terra prometida. E agora é necessário trazer de volta também, Israel em toda sua glória. Para isso os atuais líderes do que generosamente chamam de Israel precisam aprender com Judah, o patriarca que inaugurou a linhagem de David. 

Judah se sacrificou para salvar Benjamin, seu irmão mais novo. Assim se redimiu por ter abandonado José, e José o abraçou em lágrimas, perdoando-o.

Judah não foi à procura de José, e sim se responsabilizou por quem já estava sob sua tutela, Benjamin. Assim ele unificou as 12 tribos. Igualmente Israel hoje não precisa adivinhar quem são os descendentes físicos das 10 tribos perdidas e resgatá-los. Isso seria uma solução materialista e míope, além de impraticável tantas gerações depois. Judah hoje precisa entender quem está sob sua tutela, seu irmão mais novo, as religiões do Cristianismo e do Islã, que foram derivadas de Judah. 

Existem quase três milhões de cristãos e muçulmanos que habitam o Estado de Israel. Hoje o cidadão comum de Israel pensa em árabes como inimigos, agem, no geral, com tremendo preconceito e defensividade. A discussão de um lado é dar uma terra a eles a chamam de Palestina, de outro lado é ignorá-los ou deportá-los para outro país árabe. Ninguém quase fala em absorvê-los, tratá-los com respeito e tomar responsabilidade pelo seu bem estar. Ampliar as definições do Estado para incluí-los. Fazer uma Israel unida, com o apoio e não ameaça de outras religiões. Agir não como um adolescente defensivo demandando o que é seu, mas como um pai, irmão mais velho que assertivamente conduz a situação pela melhoria de todos. Sim, manter a hegemonia judaica para assegurar que o Estado promova os valores da Torá atemporal, mas acomodar e dar boas vindas aos outros povos que não só não estavam antes na terra, como cujas religiões nasceram bem depois. Afinal, todos estão esperando o direcionamento do povo do livro. Ohr leGoyim, Luz para as nações. Criar um lugar novo chamado palestina só seria um retrocesso profético. O que seria mais nobre seria Judah tomar responsabilidade por acomodar quem quer que estiver na terra, se não convertê-los para o judaísmo, ao menos inspirá-los a se chamar de Israel com orgulho e legitimar o ilustre nome que foi ambiciosamente dado ao estado.

Artigo: O rei que promete paz na terra

O Oriente Médio é o centro do mundo. Controlá-lo significa controlar a ponte entre o Ocidente e o Oriente. Pela primeira vez, desde a Pax Romana, existe uma luz no final do túnel que está entre os polos da civilização mundial.

Neste mapa é possível visualmente contemplar a importância do Irã no Oriente Médio:

Nessa região, existem dois países que se rivalizam em tamanho, mas não em contingente populacional: a Arábia Saudita e o Irã. A Arábia Saudita possui uma área que é um pouco maior que 2 milhões de km2; enquanto o Irã, possui pouco mais de 1 milhão e quinhentos mil km2. A despeito desta diferença de tamanho, o Irã possui ampla vantagem em número populacional, com pouco mais de 87 milhões de habitantes. É quase três vezes superior à população saudita. Isto, associado à vagarosa queda da importância do petróleo Saudita nos mercados mundiais, colocam o Irã como possível potência regional do Oriente Médio. 

A pergunta que fica é: Por que não o é de fato? Em poucas palavras – pelo seu fracasso sociopolítico e econômico guiado pelo regime teocrático aiatolá, que não só o isola da comunidade muçulmana da região, de maioria sunita (O Irã é xiita), como do resto do mundo por conta de sua insistência em confrontar os EUA e se aliar com outros fracassos ainda piores, como a Venezuela.

Qual seria, portanto, a solução para estabilizar o berço da civilização, o portal entre o Ocidente e Oriente, e a região mais politicamente instável do planeta? Quando acontecer a inevitável queda do atual regime do Irã, o sucessor poderá definir a estabilidade do mundo inteiro. Como fizeram no Iraq, uma república fantoche guiada pelos EUA, só aumentaria o desespero dos cidadãos iranianos que hoje protestam bravamente para derrubar o atual regime opressor e retrógrado. Contrário ao Iraq, que nunca se consolidou como um fragmento confuso do império Otomano, o Irã pode debruçar-se em seu passado de 25 séculos, e retornar ao nível de países como Noruega, Suécia, Nova Zelândia, Dinamarca, Canadá e Austrália, que estão entre os 10 países mais democráticos do mundo (Democracy Index) e são, como o Irã era antes dos aiatolás, Monarquias Constitucionais Parlamentaristas.

Fonte: https://iranintl.com/en/iran/prince-reza-pahlavi-people-cannot-take-it-anymore (Acessado às 13h:19, do dia 15 de janeiro de 2020).

A figura acima é Reza Pahlavi, príncipe herdeiro do Irã. Sua Majestade Imperial (em exílio), nasceu em 1960, em terras iranianas, em Teerã. É filho do Xá Mohammad Reza Pahlavi, que governou o Irã entre 1941 a 1979, ano da Revolução Iraniana comandada pelo Aiatolá Ruhollah Musavi Khomeini (1902 – 1989). “Nos tempos do Xá” é uma frase que ecoa entre iranianos insatisfeitos com o atual regime. Eles se referem aos tempos que a economia crescia, mulheres eram educadas e livres e o país se alinhava com as tendências do ocidente.

Farrokhroo Parsa foi uma deputada e ministra da educação  entre 1968 e 1976 no Irã, um país onde hoje, mulheres são obrigadas a usar burkas.

Em 1973 quando os países árabes se juntaram para criar um embargo contra Israel e os EUA, o Irã ficou de fora, peitando seus vizinhos árabes e se juntando a Israel e os EUA. Nos “tempos do Xá” o Irã atual seria um pesadelo distópico muito longe da imaginação do povo que vivia em pleno progresso. Fazer a roda da História tornar a andar para trás e mergulhar no obscurantismo, no fanatismo e no fundamentalismo islâmico, era algo impensável durante o regime do Xá. 

O príncipe herdeiro, filho do último Xá, é um estadista de elegância e cultura e confere palestras no mundo inteiro, denunciando os atuais fracassos do regime e propondo um diálogo democrático para estabelecer mudanças reais, e assegurar o futuro de seu país.

O fenômeno de idealização do passado em que o Xá Pahlavi era o soberano do Irã parece encontrar voz na juventude tanto quanto em anciãos intelectualizados. O assunto já havia sido tratado como artigo de opinião pela articulista Camelia Entekhabifard, especialista em Oriente Médio. Em 22 de maio de 2012, ela subscreveu um artigo com o título “Iranianos se consolam no passado”, onde trata do desprezo que se sentia, no Irã, difusamente, pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, e o saudosismo pelo Xá.

O que mais pesa para os iranianos rebeldes, no momento, são as sanções econômicas e tentativas tanto caríssimas quanto frustradas de desenvolver armas nucleares, a fim de atacar, principalmente, Israel. Algo que o regime não esconde. 

Na prática, o Irã é uma ditadura teocrática. Portanto, substituir o atual aiatolá do Irã Ali Khamenei (um fundamentalista) por meio do diálogo com uma monarquia que, de antemão: já declara querer a paz; não deseja a capacidade nuclear; reconhece Israel; e não é hostil ao regime dos EUA – faria um enorme bem ao país, que, fatalmente, teria suas sanções econômicas suspensas, e ainda traria estabilidade a região.

Isto é, substituir um regime teocrático e obscurantista, por outro democrático e aberto ao mundo ocidental e ao diálogo com os árabes de toda a região, e com Israel, que tem todo o interesse numa mudança de regime no Irã (onde o atual líder até mesmo nega a existência do holocausto).

Com a desastrada quase-guerra entre os EUA e Irã e o aumento considerável de protestos contra o regime, a troca do mesmo é uma questão de realpolitik. À Leste, o Irã faz fronteira com o Afeganistão, país conquistado pelos EUA à época do ataque às Torres em 11 de setembro de 2001. À Oeste, por mais que o Iraque se queira independente, sua espinha dorsal, o exército, repousa nas mãos dos EUA. À Nordeste, há a Turquia, um país com altos interesses na região, portanto, contra uma possível hegemonia iraniana. Por fim, ao Sul, o Irã tem como vizinho a Arábia Saudita. 

É um país, que, no fim de contas, faz fronteira com os EUA. Posto que, todos estes países, de uma forma ou de outra, pagam tributo aos EUA. Outros players internacionais, como a Rússia e a China também jogam um papel na região, entretanto, pragmáticos que são, não iriam se opor a uma troca de regime no Irã, já que nenhum dos dois países partilha da ideologia iraniana, aliás, é bom que se diga – nem mesmo os outros países do Oriente Médio. 

O que temporariamente salva o regime, portanto, acaba sendo o seu gigantismo, este já citado, e o cálculo frio que fazem a fim de não causar atritos com os EUA a um ponto sem retorno. 

Logo, se há interesse da casa real Pahlavi de assumir, como membros de uma transição de governo no Irã, num possível esgotamento das alternativas diplomáticas de que o Irã dos aiatolás ainda possui, os EUA não viriam a hesitar em rearrumar a região com a monarquia parlamentar democrática de Reza Pahlavi. 

Por que, a um só tempo, ele conferiria identidade aos povos que habitam o Irã, estabilidade estatal na figura do Rei, e a garantia de alternância democrática do poder, com o abandono imediato de se atingir capacidade nuclear na região, conforme suas próprias palavras, registradas em vários de seus discursos.

A forma de se fazer este novo contrato, portanto, passa pela vontade americana, porque as outras duas pilastras já existem. Um príncipe herdeiro legítimo, e a vontade de mudança do povo, faltando apenas o envolvimento da União Europeia, dos EUA, e da neutralidade russa e chinesa.

O regime dos aiatolás sabe disso, e sabe também dos movimentos monarquistas na região. Outro dia, um diplomata de Sua Majestade Britânica fora preso por participar de uma oração pelo país, posto que a polícia secreta dizia ter indícios de que Rob Macaire participaria de círculos monárquicos na região. O mesmo explica, em suas próprias palavras, a ilegalidade de sua prisão pelo twitter:

Este é o grau de repressão do regime iraniano. Diz o príncipe herdeiro sobre a reação do regime aos protestos: “Aos soldados que estão usando a força e repressão como ferramenta, só posso dizer que não há pessoas suficientes que podem matar para manter esse regime no poder. Eles deveriam se render e se juntar ao povo, seus irmãos. Esse regime não pode ser reformado e portanto precisa ser removido”.

Somente o retorno de uma monarquia sóbria e tradicional, porém moderna e liberal, pode harmonizar as polarizadas demandas desse povo milenar. Um povo sábio e digno, descendentes do império Persa que já foi a maior potência do mundo em diversas ocasiões, clama pelo retorno de uma fração de sua glória. E com a vinda desse rei, vem a promessa da hegemonia da paz e da democracia no oriente médio, que historicamente sempre significou a possibilidade de intermediação pacífica entre o ocidente e o oriente, e portanto a única alternativa real para o sonho da paz mundial.

Artigo: Entre Reis e Judeus (Revista Menorah)

Abaixo você pode visualizar o artigo em PDF clicando “download” ou clicando nas imagens.:

Resenha: Melhor disco de 1967

Que ano! Foi ano de Sgt Peppers, Piper at the Gates of Dawn, The Velvet Underground & Nico… E, o que na minha opinião chegaria em segundo lugar de melhor álbum de 1967 e um dos melhores álbuns da história da música popular FOREVER CHANGES do Love. Songs of Leonard Cohen não ganharia pra qualquer pessoa. Mas comigo é bem pessoal. Very on brand. Leonard Cohen é pra mim como o mestre Yoda dos poetas que tocam violão. Os primeiros dois discos dele são os melhores. Produzido pelo John Simon que tenho que confessar que foi a primeira pessoa que procurei para produzir meu disco que acabou sendo produzido pelo Bob Johnston que produziu Songs from a Room (o segundo disco de Cohen). O Simon negou produzir meu disco dizendo que não mexia mais com isso e nem queria mexer. Depois fui procurar o Bob, que entrou bem mais empolgado no projeto. Anyway, é um disco único. O primeiro de uma força da natureza da poesia.

A melhor música é com certeza absoluta “Sisters of Mercy”… ou é “The Stranger Song”? Putz, não sei, uma das duas. Depois “Hey That’s No Way to Say Goodbye”. É claro que aqui tem “Suzanne” e “So Long, Marianne”, mas são pra quem não acompanha a letra. Não vou nem perguntar se concordar, por que não quero me decepcionar… 🙂

Auto-desenvolvimento : Conselho de Decisões

Clique acima para ver em tamanho maior.

Aprendi o conceito de “Conselho de Decisões” no clássico livro “Pense e Enriqueça” de Napoleon Hill. Resolvi fazer o meu próprio conselho que me ajuda a tomar decisões comedidas. Cada “ministro” tem seu papel. São pensadores e comunicadores que eu admiro, que estão vivos, e que eu acredito que poderiam contribuir em minhas decisões. O exercício é imaginar o que tais pessoa diriam sobre tal problema.

Ou seja, devo comprar um carro X ou Y. O ministro de conquistas diria como eu poderia chegar ao melhor carro, como ganhar dinheiro para pegar o melhor. Enquanto o ministro de investimentos diria que devo pegar o mais econômico e poupar para aumentar meu patrimônio. A ministra do casamento me pediria para pensar na família e comprar um carro que caiba os filhos e que a esposa poderia dirigir com conforto. O ministro da ética, me lembraria que carros são para transporte e luxos podem atrapalhar meu caráter. A ministra da coragem diria que eu preciso ser honesto com o que realmente quero, não fingir que sou mais forte do que sou e escolher algo que me deixe confiante mas também não ser destemido das consequências. O ministro da política traria os pontos positivos e negativos da minha imagem na comunidade e o que cada carro representaria. Preciso ostentar para conquistar um status, ou ser mais discreto para evitar inveja? O ministro da liberdade diria que eu posso comprar um carro bem melhor usado, e ter o carro que sempre quis ter, talvez até comprar os dois, se agir com inteligência. E o ministro da negociação me informaria como convencer minha esposa que esse é o melhor carro ou como pechinchar no preço final. Os argumentos mostrariam a veracidade ou não dos meus desejos espontâneos. O ministro do pensamento honesto me colocaria no meu lugar, não me deixando fantasiar, questionando minha lógica. O ministro do foco não deixaria eu ficar viajando na maionese com as diferentes possibilidades e lembrar o que é importante em um carro. A prioridade é tal, então esquece o resto! O ministro do inconsciente me lembraria que tem forças me influenciando que eu não estou percebendo, que talvez eu esteja tentando compensar com um carro uma coisa mais profunda. Talvez eu nem precise de um carro e me sentiria muito mais completo pegando Uber. O ministro do ceticismo me faria questionar todos os outros e pensar que no final a escolha não é tão importante, que talvez, deva só deixar minha esposa comprar o que ela quiser.

Assim todos esses ministros iriam debater, um descordando do outro, formando alianças e quando eu acordar da meditação, a decisão ficaria muito mais informada. Faria uma escolha com confiança, certo de que levei em consideração todos os pontos representados por especialistas de minha confiança. A arte foi feita por Emmanuel Vasquez, um artista que contratei no UpWork, que mora nas Filipinas. Eu paguei 180 dólares para ele pelo projeto inteiro. Demorou umas três semanas para terminar.

Resenha: Melhor filme de 2018: Vice

No seu último filme, A Grande Aposta (2015), o diretor Adam McKay foi ousado. Fez um filme lúdico e dinâmico sobre detalhes do mercado financeiro. No topo da montanha do sucesso, McKay se propôs um desafio tão formidável quanto o anterior. Dessa vez iria revelar a vida íntima de um homem cuja a discrição absoluta o manteve no poder, Dick Cheney, o ex-vice-presidente americano. Mas como fazer uma biografia de um homem que esconde tudo o que faz e apaga os rastros de toda informação existente sobre ele próprio?

O diretor teve de inventar uma nova forma de contar estórias. Tudo que se sabe sobre ele foi mostrado como um vilão piscando o olho pra câmera. O espectador que faz o julgamento. Nunca saberemos o que realmente aconteceu naquelas reuniões, mas sabemos com certeza que Dick Cheney era bem mais do que seu cargo, e como o cargo é vice-presidente, ele só podia ser bem mais que o presidente. E na falta de informação sobre o sujeito, em uma das cenas, Dick e sua esposa Lynne (estrelada por Amy Adams) falam como se fossem personagens de Shakespeare, em outra cena aparece falsos créditos do filme do nada, depois o filme volta. Tudo para sutilmente formar uma narrativa opcional para quem assiste.

Alguns críticos acharam confuso a tentativa do diretor, mas isso é por que não entenderam a mensagem. Dick Cheney era confuso, e um homem neste nível de poder, necessariamente parece niilista para o público. Sua moralidade ou é flexível demais para explicar, ou é inexistente ou é complexa demais. Então o que resta é uma aparente ambiguidade confusa, mas uma intuição certeira sobre as raizes do alto-poder. Assim como os documentários de Errol Morris, Vice te leva para dentro da Casa Branca, e te faz enxergar que é muito fácil julgar de fora, quando está entre os mais poderosos do mundo. Mas ‘zona cinza’ é preto e branco demais para ser a palavra certa quando se fala de interesses realmente globais.

O filme vale a pena assistir pela acensão da consciência sobre o verdadeiro poder e só pra ver Christian Bale brilhar. Se consolidando como um dos atores mais versáteis da nossa geração, o melhor dos Batmans, aqui virou um gordo, se equilibrando em próteses. Mantido quase sempre nas sombras, como uma metáfora cinematográfica, Bale incorpora Cheney em sua voz, expressões e maneirismos. Cortar frases no meio, deixar os outros perplexos como um chefe da Mafia, Bale faz a gente lembrar de um José Dirceu mais competente.

Abaixo estão os melhores filmes dos outros anos de acordo comigo. Vice está disponível para ser assistido no YouTube Premium.

2018 – Vice de Adam McKay
2017 – Call Me by Your Name de Luca Guadagnino
2016 – Captain Fantastic de Matt Ross
2015 – The Big Short de Adam McKay
2014 – The Grand Budapest Hotel de Wes Anderson
2013 – La grande bellezza de Paolo Sorrentino
2012 – Cloud Atlas de Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski
2011 – Limitless de Neil Burger
2010 – Inception de Christopher Nolan
2009 – Mr. Nobody de Jaco Van Darmeal
2008 – The Dark Knight de Christopher Nolan
2007 – There Will Be Blood de Paul Thomas Anderson
2006 – The Prestige de Christopher Nolan
2005 – V for Vendetta de James McTeigue
2004 – The Notebook de Nick Cassavetes
2003 – The Lord of the Rings: The Return of the King de Peter Jackson
2002 – Hero de Yimou Zhang
2001 – Vanilla Sky de Cameron Crowe
2000 – Crouching Tiger, Hidden Dragon de Ang Lee
1999 – American Beauty de Sam Mendes
1998 – The Truman Show de Peter Weir
1997 – Good Will Hunting de Gus Van Sant
1996 – Trainspotting de Danny Boyle
1995 – Dead Man de Jim Jarmusch
1994 – Shawshank Redemption de Frank Darabont
1993 – In the Name of the Father de Jim Sheridan
1992 – Scent of a Woman de Martin Brest
1991 – The Quarrel de Eli Cohen
1990 – Rosencrantz & Gildenstern Are Dead de Tom Stoppard
1989 – Dead Poets Society de Peter Weir
1988 – Nuovo Cinema Paradiso de Giuseppe Tornatore
1987 – Full Metal Jacket de Stanley Kubrick
1986 – The Name of the Rose de Jean-Jacques Annaud
1985 – After Hours de Martin Scorcese
1984 – A Passage to India de David Lean
1983 – Scarface de Brian De Palma
1982 – The World According to Garp de George Roy Hill
1981 – The Chosen de Jeremy Kagan
1980 – The Shining de Stanley Kubrick
1979 – Manhattan de Woody Allen
1978 – The Deer Hunter de Michael Cimino
1977 – The Duellists de Ridley Scott
1976 – Network de Sidney Lumet
1975 – Monty Python & the Holy Grail de Terry Gilliam and Terry Jones
1974 – The Godfather Part II de Francis Ford Coppola
1973 – Papillon de Franklin J. Schaffner
1972 – The Life and Times of Judge Roy Bean de John Huston
1971 – A Clockwork Orange de Stanley Kubrick
1970 – Little Big Man de Arthur Penn
1969 – Easy Rider de Dennis Hopper
1968 – 2001: A Space Odyssey de Stanley Kubrick
1967 – Cool Hand Luke de Stuart Rosenberg
1966 – The Good, The Bad and the Ugly de Sergio Leone
1965 – The Cincinnati Kid de Norman Jewison
1964 – My Fair Lady de George Cukor
1963 – The Great Escape de John Sturges
1962 – To Kill a Mockingbird de Robert Mulligan
1961 – The Hustler de Robert Rossen
1960 – The Fugitive Kind de Sidney Lumet
1959 – The 400 Blows (Les quatre cents coups) de François Truffaut
1958 – Cat on a Hot Tin Roof de Richard Brooks
1957 – Twelve Angry Men de Sidney Lumet
1956 – Giant de George Stevens
1955 – Rebel Without a Cause de Nicholas Ray
1954 – On the Waterfront de Elia Kazan
1953 – The Wild One de Laslo Benedek
1952 – Ikiru de Akira Kurosowa
1951 – A Streetcar Named Desire de Elia Kazan
1950 – Sunset Blvd. de Billy Wilder
1949 – The Third Man de Carol Reed
1948 – Bicycle Thieves (Ladri di biciclette) de Vittorio de Sica
1947 – Out of the Past de Jacques Tourneur
1946 – It’s a Wonderful Life de Frank Capra
1945 – Rome, Open City (Roma, città aperta) de Roberto Rossellini
1944 – Double Indemnity de Billy Wilder
1943 – Shadow of a Doubt de Alfred Hitchcock
1942 – Casablanca de Michael Curtiz
1941 – Citizen Kane de Orson Welles
1940 – The Grapes of Wrath de John Ford